Parágrafo sobre capítulos 7, 8 e 9 de Filosofia da Caixa Preta
Nos capítulos 7, 8 e 9, Flusser aprofunda a crítica sobre os aparelhos e seus efeitos na subjetividade e na estrutura social. No capítulo 7, “A recepção da fotografia”, ele introduz a ideia de desmaterialização, onde os dispositivos, ao ocultarem seus processos internos, substituem a experiência direta com o mundo físico por uma mediação abstrata de imagens e informações. Esse processo não só altera a percepção da realidade, mas também contribui para a redução da capacidade humana de interagir com o mundo de forma concreta, nos distanciando das próprias condições de existência. No capítulo 8, “O universo fotográfico”, Flusser problematiza a relação entre o saber humano e a máquina, afirmando que, embora as tecnologias expandam as possibilidades de conhecimento, elas também trazem consigo uma alienação intelectual. As máquinas, ao automatizarem o processo de conhecimento, conduzem o ser humano a um papel de mero usuário passivo. No último capítulo, o autor expande a crítica ao destacar a concentração de poder, cujos algoritmos determinam o fluxo de informações e o acesso ao conhecimento. A centralização da "caixa preta" nas estruturas de controle impõe um novo regime de poder, em que a liberdade individual é ameaçada pela manipulação de dados e pela vigilância constante, criando uma sociedade onde as decisões estão cada vez mais distantes de uma intervenção humana direta.
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